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16 de jul de 2014

Do Inferno Alan Moore

Do Inferno 1999
Relembrando artes do passado por Francesco Castrelly Episódio 100.
Alan Moore nunca foi um grande desenhista, fato que ele mesmo admitiu, o que acabou fazendo ele dedicar seu tempo integral aos roteiros de HQ’s ao invés de desenhos. Tais mudanças foram muito bem vindas levando em conta que ele pode se dedicar integralmente ao que fazia de melhor, e fomos apresentados ao seu talento, perfeccionista de pesquisar bastante antes de criar uma história. Por exemplo no caso de Watchmen, temos fatores tanto fictícios quanto históricos, coisas que realmente aconteceram Moore colocada fatos que “Poderiam” ter acontecido e isso acaba fazendo o leitor se deliciar com uma trama inteligente, quebrando aquela velha regra de quadrinhos é coisa de criancinha Walt Disney, que é tão famosos que o corretor do Word nem sequer corrige enquanto estou escrevendo nesse exato momento. V De Vingança também temos um enredo futurista (Para época) já que se passa em 1997, e ele o escreveu em 1990, e mistura elementos fictícios com realidades, por exemplo sabemos que de fato a fascismo nunca ocorreu em Londres, foi um enredo criado por ele, mas sabemos muito bem que a maneira como os comunistas, judeus, homossexuais, eram levados aos campos de concentração é exatamente do modo descrito no livro. As experiências, e etc... mas se eu me aprofundar estaria fazendo era uma resenha do V leia aqui. O HQ que gostaria de falar é uma de suas obras mais complexas e interessantes. Do Inferno, uma das melhores histórias que já li do mestre, e também uma das menos conhecidas, foi adaptado para o cinema com Johnny Deep, não baseado 100% no livro, mas dizem que o filme ficou bom. Ainda não posso opinar. Estou numa época que prefiro ler do que assistir filmes. Ler um livro é como montar um sanduiche e comer, ver um filme é como pegar o sanduiche pronto. Seu cérebro só trabalha de um lado, e facilita muito as coisas. Ler é sempre melhor.
O nome do HQ é do Inferno pois é o nome da suposta carta que Jack o Estripador deixou para policia, alias é a única correspondência que as pessoas possam dizer que realmente pode ter sido do assassino de Whitechapel. Primeiro vamos pensar: quem foi jack? 
Caricatura de Jack The Ripper

Foi um assassino em série que matou no mínimo cinco mulheres que ganhavam a vida como garotas de programa em meados de 1888 em Londres. Nessa época em que a mídia não era nem de longe tão moderna quanto é hoje, espremeu essa noticia como uma laranja, talvez tenha sido um dos primeiros casos constantemente em jornais e meios de comunicação igual aqui no Brasil em casos como o do menino Joaquim, ou Isabella, etc... Mas isso que estou contando é real preciso diferenciar bem o histórico da ficção, algo bastante presente aqui. Então Jack existiu, obviamente não era esse seu nome, foi um nome que a mídia deu para ele, ninguém sabe o seu nome ao certo. Também o chamavam de avental de couro, e etc... E a coisa mais engraçada disso tudo é que o crime nunca foi desvendado! Exatamente, Jack nunca foi capturado. Ninguém nunca soube quem era! Incrível não é? Até hoje dizem que não existe crime perfeito mas naquela época houve um. Mas será que tinha coisas envolvidas? Será que o governo não sabia e tentou omitir? Impossível um caso mesmo naquela época não ser solucionado e Moore prova que pensa assim.
Vamos entrar no enredo do Hq... Ele foi divido em quatro edições cada um com umas 160 páginas, se for somar tudo exatamente dá 609 páginas. Esse Hq também não é recomendado para quem não gosta de ler, pois cada página é recheada de diálogos intermináveis, que se não lidos com atenção você se perde na trama, esses diálogos preencheriam um livrão de boa. Aliás é um livro, mas com desenhos. Moore teve pareceria com o desenhista David Lloyd em V de Vingança, Dave Gibbons em Watchmen, e aqui tem com o desenhista Eddie Campbell, com um traço consideravelmente diferente do que eu estava acostumado a ver em HQs do Moore, como (A piada mortal) mas isso é um elogio, os desenhos preto e branco com traços simplórios são perfeitos para dar aquela atmosfera sombria que a história com sucesso passa.

A parte mais interessante da história é a base principal dela: Jack O Estripador, se na vida real, nunca descobrimos quem era, nessa história já sabíamos quem era logo no primeiro assassinato. A questão principal que Alan Moore colocou na história não era “quem” mas “por quê”, e todos os assassinatos são extremamente explícitos, e mesmo em preto e branco o caráter cirúrgico das mortes chega a chocar. O Sexo também é explicito, a tese da sexualidade é algo bastante explorado nos HQs de Moore, principalmente em um de seus trabalhos mais recentes: Lost Girls, e não critico isso, quem sou eu fã do Marquês de Sade para criticar a sexualidade presente em obras? Apesar do sexo explicito não temos maníacos sexuais como em suas obras de costume: (Comediante de Watchmen) ou estupros recorrentes (Novamente Comediante de Watchmen, Coringa da piada mortal que apesar do estupro não ser claro tenho quase certeza que ele não tirou a roupa de Bárbara apenas para fotografar, ou o trágico fim infeliz, chocante e inesperado do homem invisível Griffin, nas mãos de Hyde no excelente HQ A Liga Extraordinária). Temos aqui uma trama de matança explicita com um roteiro inteligente no fundo. Mas como poderia tentar resumir uma história de mais de 600 páginas se somada ao todo? Vamos tentar.
O Enredo começa em 1884, quando o jovem Eddy (Também conhecido como Albert), é apresentado há uma mulher que trabalha de balconista numa confeitaria em Londres, pelo seu amigo Sickert, chamada Annie e logo começa a ter um relacionamento com ela, (Que é apresentado uma cena de sexo explicito logo nas primeiras páginas, do HQ) ele também se casa com ela não antes de engravidá-la algo que parece não agradar em nada o amigo que muitos acreditam ser irmão de Albert, Sickert alega ser loucura esse casamento mesmo durante a cerimonia, o que não nos é deixado claro era o porquê disso. Mas logo no final do capitulo Annie e levada por soldados da coroa, Sickert que estava com o filho de Albert entrega-o a Marie que a trama a tem como uma espécie de amiga dele, e Eddy é chamado de “Alteza” na frente de Annie que não entende o porquê. Finalmente entendemos o porquê disso... Albert era filho da rainha, e jamais iriam permitir ele casado com uma mera balconista, a vossa Majestade precisaria “contornar” essa história de qualquer jeito. Mas não somos informados como ela iria fazer isso tão cedo.
Voltamos muitos anos antes desses acontecimentos, agora para 1827, e temos uma série de frases desconexas que devem ser memorizadas por são diálogos importantes que ocorreram na vida do personagem central da trama, (O que é a quarta dimensão ?) somos apresentados ao senhor Guil, desde sua infância. Quando ele abriu os olhos do falecido pai, quando era criança. Quando ele matava ratos e os abria com uma navalha, logo seus talentos como cirurgião estavam se apresentando. E foi o que ele se tornou mais tarde, um premiado cirurgião que se tornou maçom devido a uma recomendação, e fez um juramento que jamais revelaria os segredos de suas missões, sob pena de morte. Este concordou. Temos muitas páginas para conhecer o Guil e notamos logo de cara que ele tem uma tendência para a psicose. O fato dele não sentir incomodo algum em abrir pessoas, e cobrir suas mãos e rosto de sangue, o faz tê-lo facilmente como um açougueiro sem remorsos. Finalmente depois de longas conversas na igreja sobre a quarta dimensão e etc, também somos apresentados ao homem elefante, um homem que nasceu com uma deformidade terrível no rosto, que altera sua dicção, mas rende bons diálogos com o Dr.Guil... Somos longamente apresentados ao Guil. No começo pensei que a história de Albert era apenas um conto, e que esse era outro, estava demorando tanto, em Guil que pensei se tratar de uma historia nova. Mas finalmente depois de longas páginas somos apresentados a fatos com conexões a história do primeiro capitulo. Quando ele é a pessoa indicada a “Calar” Annie, que é colocada num hospício, mesmo sem estar doida. Sua missão era fazer com que isso fosse verdade e ele o fez. Fazendo uma espécie de “lobotomia” em Annie, causando danos irreversíveis no cérebro dela. Obviamente ela não iria passar de uma coitada, e não seria ameaça. O Que me perguntei foi se Moore havia esquecido do bebê. Mas claro que não. O bebê continuava com Marie, e após dizer ao Sickert que aquela história de Albert ter tido um caso com Annie no egoísmo de se divertir mesmo sem pensar no mal que iria acontecer a ela era uma canalhice, e que ela não iria cuidar do bebê. Ela deixou o bebê com Sickert e foi embora. Logo, sabemos que Marie ganha a vida como prostituta, e ao chegar num cabaré, informa as amigas que tem uma ótima ideia para chantagear Sickert que era ligado a coroa. O Trato era, que se não lhes fossem dada uma quantia considerável, elas iriam contar o escândalo envolvendo o príncipe Albert a todos. O que faz o tal cair em desespero entrar em contato com a rainha.
Como você pode ver cada uma das 600 páginas da história é recheadas de diálogos.


Vocês devem estar se perguntando o que diabos isso tem haver com Jack o Estripador, mas vou chegar lá, é exatamente depois desse ponte que ele entra: Guil é contratado pessoalmente pela rainha para dar um fim nas chantagistas, Sickert sabia que era Marie, e suas amigas no total quatro, então a missão dele era dar cabo nelas. O senhor Willian Guil transforma uma missão que poderia ser considerada simples por muitos assassinos, em algo divinamente doentio. Ele queria transformar em uma obra de arte os assassinatos. E explica suas teorias a seu chofer burro, apenas para ser escutado, mesmo sabendo que ele não entendia lhufas do que ele dizia, ele falava, um dialogo extremamente longo mas interessante, onde Guil explora suas teorias machistas, suas inspirações baseadas em pessoas históricas, e demonstra o lado obscuro da maçonaria, em um certo momento da obra, Guil traça num papel um pentagrama fazendo alusões aos ocultismo, satanismo, temos até mesmo a imagem de um bode em um dos capítulos (animal símbolo do tal) não precisa ser nenhum culto para perceber que o Doutor queria transformar algo que poderia ser só um assassinato em um verdadeiro terror. Nem mesmo a Rainha imaginaria que uma missão que poderia ser resolvida logo, se transformaria em um quebra-cabeças monstruoso que iria parar a policia causar pânico em todos da cidade e chamar a atenção da mídia de uma maneira horrível.

O Doutor Willian Guil fez um barraco em cima de uma situação desnecessária. E aos poucos vai perdendo cada vez mais a sanidade o que acaba levando-o ao desfecho final e irônico da trama. Somos apresentados a Abberline antes sequer do primeiro capitulo começar, lá ele conversa com Sr. Lees, os dois ambos idosos, comentam o desfecho do caso de Jack o Estripador. Abberline foi o detetive que investigou os casos de Jack, e Lees era uma espécie de sensitivo que descobriu quem era o tal (E acertou) mas se acertou porque Jack nunca foi pego? Isso é explicado quase no final da história. Ou seja um mero gostinho de muitos anos após o final vazio de nunca terem o pego. No segundo volume de Do Inferno, Abberline é muito melhor apresentado, agora sabemos que ele foi o detetive levado de volta a Whitechapel A contra-gosto para investigar o primeiro assassinato (Marie). O Padrão de Jack (Dr.Guil) era o mesmo, oferecer carona a elas em sua carruagem, lhe dá uvas obviamente com tranquilizantes, cortar o pescoço delas com navalhas e depois as cortar de maneira horrível. Abberline logo de cara percebeu que esses assassinatos, eram de autoria de alguém que conhecia muito bem a anatomia humana. Ou seja não era de um idiota qualquer cortando a esmo uma pessoa e sim uma pessoa que sabia muito bem o que estava fazendo. E durante as teorias, o caso de Jack ganhou popularidade, milhares de pessoas escrevendo cartas, dizendo ser de autoria do assassino até então tendo seu nome mais popular como avental de couro. Guil decide mandar uma carta, escrita por seu burro companheiro com erros notáveis de escrita que para ele eram bem-vindos dando um ar de insanidade perfeito nela está assissinada Jack O Estripador, o nome da carta era Do Inferno, titulo que leva essa obra. Quando Guil começa a perder o controle de vez, mas finalmente mata a ultima responsável pela chantagem, em meados do terceiro e quarto volume (Em um ponto especifico ele mata uma mulher errada) não que isso lhe cause remorsos, mas a cada morte horrenda, sentimos a total perda de faculdades mentais do senhor Guil. A rainha acha um bode expiatório para morrer, e levar a culpa pelos assassinatos, mas o que ela não conta é que agora o senhor Willian totalmente instável ameaça até mesmo a coroa. Algo que ela está disposta a resolver por qualquer meio que seja.

Vale a pena cada página lida, cada minuto gasto, a trama vai lhe prender do começo ao fim eu recomendo com certeza absoluta.





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